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26 de Setembro de 2017

Cátedra João Lúcio de Azevedo na Universidade Federal do Pará (UFPA)


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O Camões – Instituto da Cooperação da Língua, I.P. e a UFPA acordaram na criação da Cátedra João Lúcio de Azevedo, que visa estreitar os laços de colaboração com vista à pesquisa e difusão da História, Cultura, Literatura de Portugal e da Amazónia, incluindo as suas relações com as culturas de expressão portuguesa.

Pretende-se ainda a formação, integração e fortalecimento de uma rede de intercâmbio cultural e científico internacional, que contemple investigadores da Amazónia e de Portugal, incluindo ações de campo em Portugal, no Brasil e nos países de expressão portuguesa.

Será desenvolvido juto da Universidade e da cidade de Belém do Pará, um conjunto de iniciativas de caráter científico e cultural que visem as seguintes linhas de investigação: cultura e literatura luso-afro-brasileira; história da língua portuguesa.

A proposta nesse sentido foi apresentada em maio de 2017, em Lisboa. Após o acolhimento inicial da intenção da UFPA, uma equipa constituída pelos Professores Maria Adelina Amorim, da Universidade Nova de Lisboa, Maria de Nazaré Sarges e Aldrin de Moura Figueiredo, da UFPA, elaborou um detalhado projeto para a sua concretização. Em agosto passado, a proposta foi aprovada.

A cátedra João Lúcio de Azevedo ficará diretamente vinculada à Pró-Reitoria de Relações Internacionais e ao Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia. Terá como coordenadora na UFPA a Prof.ª Dra. Maria de Nazaré Sarges, docente do Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia, da UFPA. As suas atividades serão desenvolvidas em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e instituições da comunidade luso-brasileira no Pará, de prestígio no campo académico, cultural, social e do desporto, em especial a Sociedade Beneficente Portuguesa do Pará, fundada em 1854, o Grêmio Literário e Recreativo Português, fundado em 1868, e a Tuna Luso-Brasileira, fundada em 1903, todas elas com sede em Belém do Pará.

João Lúcio de Azevedo, que dá nome à cátedra, foi um dos mais reconhecidos historiadores portugueses com atuação no mundo amazônico. Nasceu em Sintra, em 1855. Aos dezoito anos, após concluir o ensino secundário e o curso técnico de comércio, embarcou para Belém do Pará, onde se tornou caixeiro na célebre Livraria Universal, propriedade dos irmãos Eduardo e Avelino Tavares Cardoso. De caixeiro a gerente da livraria, João Lúcio de Azevedo inicia, ainda em Belém, sua carreira de escritor e historiador com Estudos de História Paraense (1893). Publica Nova York: notas de um viajante (1897), a partir de sua viagem aos Estados Unidos, e O Livre Amazonas: vida nova (1899), resultado de seus artigos publicados no jornal A Província do Pará. Residiu posteriormente em Paris e depois regressou a Lisboa, onde continuou a sua obra historiográfica com diversas e importantes publicações, como O Marquês de Pombal e a Sua Época; História de Antônio Vieira; A Evolução do Sebastianismo; História dos Cristãos-Novos Portugueses e Os Jesuítas no Grão-Pará – obra clássica luso-amazônica, com várias edições em Portugal e no Brasil. Organizou, ainda, a melhor edição das cartas do Padre Antônio Vieira, que foram publicadas parcialmente. Colaborou na edição da História de Portugal, dirigida por Damião Peres e, a partir daí, consolidou sua obra na historiografia luso-brasileira. Faleceu em 1933, em Lisboa.

O Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. (Camões, I.P.) é um instituto público tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) que tem por missão propor e executar a política de cooperação portuguesa e a política de ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro